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Brasília 28 de novembro de 2022

Revegetação

PLANO DE RECUPERAÇÃO FLORESTAL E REABILITAÇÃO AMBIENTAL

          Visa mobilizar a comunidade rural da orla do Lago Descoberto capacitando o proprietário rural para o conhecimento ambiental da bacia possibilitando a construção de forma participativa de um Plano de Recuperação Florestal e a de Reabilitação Ambiental de suas propriedades por meio de uma adesão espontânea às ações de recuperação e proteção nele estabelecidas.

          A avaliação do grau de perturbação, indicando as áreas degradadas onde foram eliminados a vegetação e seus meios naturais de regeneração, e as áreas perturbadas - os locais em que a vegetação sofreu distúrbios, mas manteve seu potencial de regeneração, aliada ao conhecimento da vegetação atual e características da vegetação original serão fundamentais para se definir as ações de recuperação ou restauração ecológica, pois os métodos a serem utilizados diferem de acordo com a fisionomia a ser restaurada (Fonseca et. al., 2001; Felfili et. al. 2008; Parron et al., 2008).

          Será adotado o sistema misto sugerido por Felfili et. al. (2008) e Parron et al. (2008), que associa a regeneração natural nos locais perturbados ao sistema de regeneração artificial nas áreas degradadas, pelo plantio de mudas de espécies de diferentes grupos ecológicos.

          A regeneração natural consiste em isolar a área e deixar que os processos da natureza, como germinação de sementes e brotação de sóboles e raízes se estabeleçam.

          No plantio de mudas, deve-se respeitar algumas premissas como a densidade da vegetação original, seleção de espécies nativas do bioma Cerrado, prioridade para espécies atrativas à fauna silvestre, controle de espécies exóticas, eliminação de fatores de degradação.

          A seleção das espécies deve ser feita considerando avaliações florísticas e ecológicas da vegetação remanescente nas proximidades, em informações de estudos realizados anteriormente na área em questão e em outras áreas próximas, considerando, também, a disponibilidade de espécies nos viveiros locais.

Felfili et. al.(2008) sugerem, ainda, utilizar na composição florística dez espécies em maior densidade e no mínimo outras trinta em menor quantidade, procurando não ultrapassar 150 mudas da mesma espécie por hectare.

          A Tabela 1 apresenta as espécies que devem ser priorizadas em programas de recuperação de áreas degradadas em matas de galeria no DF (Silva Júnior, ET al., 2001). Os autores basearam-se na freqüência das espécies selecionadas em 21 estudos florísticos realizados nas matas de galeria do Distrito Federal.

          Tabela 1: Espécies prioritárias para programas de recuperação de áreas degradadas em matas de galeria no DF, de acordo com Silva Júnior et al. (2001).



          A Tabela 2 mostra as espécies recomendadas para a restauração ecológica da vegetação do Bioma Cerrado citadas por Parron et. al.(2008).

          Tabela 2: Espécies recomendadas para a restauração ecológica no Bioma Cerrado, de acordo com Parron et al.(2008).

          As mudas, nativas do bioma Cerrado, deverão estar com altura entre 30 e 90 cm e apresentar boas condições fisiológicas e fitossanitárias não apresentando enovelamento do sistema radicular ou deficiência nutricional.

          Os plantios devem ter composição mista, com as diversas espécies agrupadas, dispostas em linhas de espécies pioneiras alternadas com linhas de espécies secundárias e clímaxes, criando, dessa forma, linhas de sombremento e linhas de diversidade, reproduzindo um modelo de sucessão ecológica de facilitação, obedecendo às curvas de nível e serem feitos no período chuvoso.

          As técnicas de preparo do solo dependem das características de cada local.Áreas com predominância de gramíneas devem ser roçadas antes do plantio. Abiomassa roçada deve permanecer no local para decomposição e proteção do solo. Deve-se promover um rigoroso controle de formigas antes do plantio.

          O espaçamento recomendado é de 3 m x 3 m, ou seja, 1.111 mudas por hectare, densidade próxima a de espécies arbóreas adultas encontradas nas formações florestais e no Cerrado Sentido Restrito.

          O tamanho recomendado para as covas é de 30 cm a 40 cm de diâmetro e 40 cm a 60 cm de profundidade. Devem ser colocados tutores de 1,30 a 1,50 m ao lado das mudas a fim de identificá-las à distância e guiar o crescimento das mudas.

          As covas deverão ser adubadas com 200 gramas de calcário dolomítico, 150 gramas de termofosfato, 150 gramas de NPK 10-10-10 e 18 litros de esterco de gado curtido. A aplicação de calcário deverá ser realizada preferencialmente um mês antes do plantio.

          A adubação verde consiste em plantar espécies vegetais que, após atingir seu pleno desenvolvimento vegetativo, serão cortadas ou acamadas, e a massa gerada é deixada sobre a superfície ou incorporada ao solo. A adubação verde tem como finalidade manter ou aumentar o conteúdo de matéria orgânica, sendo capaz de melhorar as qualidades físicas, químicas e biológicas do solo, favorecendo o crescimento e rendimento das culturas em sucessão (Souza e Pires, 2007).

          Dentre as plantas utilizadas para a adubação verde, as leguminosas são as mais difundidas, por apresentarem, em geral, um sistema radicular profundo e ramificado, com capacidade de fixar nitrogênio atmosférico, mediante a simbiose com bactérias do gênero Rhizobium. (Dourado, Silva e Bolonhezi, 2001).

          Atualmente, entre as diversas leguminosas promissoras para adubação verde na região dos cerrados, destacam-se: guandu (Cajanus cajan), crotalárias (Crotalaria juncea, Crotalaria spectabilis, Crotalaria ochroleuca e Crotalaria paulina), feijão-de-porco (Canavalia ensiformis).

          As espécies de adubação verde deverão ser plantadas em linhas com espaçamento de 0,5 m, entre as linhas de árvores, por meio de coquetel de sementes de modo a utilizar simultaneamente os diversos benefícios das culturas, conforme ilustrado na Figura 3. As sementes devem ser plantadas na seguinte densidade: guandu – 60 kg/ha, crotalárias – 30 kg/ha.

          Os plantios devem circundar os locais com vegetação remanescente, evitandose introduzir espécies nesses locais não perturbados a fim de evitar interferências no processo natural de sucessão.

          É necessário realizar o controle de espécies invasoras. É comum observar em áreas perturbadas a presença de vegetação invasora, principalmente o capim braquiária (Brachyaria sp.). Para que não haja supressão de mudas, resultante da competição por luz e nutrientes, faz-se necessária a realização de coroamento com um metro de diâmetro a fim de eliminar essa competição e auxiliar no estabelecimento da muda. O coroamento deverá ser feito manualmente com capina.

          O uso de leguminosas forrageiras perenes e nativas do Bioma Cerrado, como o estilosantes (Stylosanthes sp.) e o amendoim–forrageiro (Arachis pintoi) podeauxiliar no combate às espécies exóticas, como gramíneas e outras plantas, ena melhoria da fertilidade e da conservação do solo (Parron et. al. 2008). Ambas devem ser plantadas por sementes, no coquetel de adubos verdes na seguinte densidade: amendoim-forrageiro – 25 kg/ha, estilosantes – 7,5 kg/ha.

          Assim como o coroamento, deverá ser realizada roçagem das áreas duas vezes por ano a fim de evitar a competição e diminuir o risco de incêndio.

          Com relação ao controle de insetos, que são grande causa de insucesso de povoamentos florestais, em especial as formigas cortadeiras (gênero Atta e Acromyrmex) e cupins deverão ser controlados. Para este fim, existem diversas opções de controle ecológico que já vêm sendo testadas e utilizadas pelos agricultores que praticam agricultura de base ecológica.

          Estes controles envolvem barreiras físicas, extratos vegetais e plantas repelentes como mamona, gergelim, coentro, angico, nim e seus preparados, perturbação de colônias, uso de preparados à base de sal, cinza, vinagre, cal virgem, enxofre, preparados homeopáticos e agentes de controle biológico representados por insetos predadores, parasitóides ou por microrganismos entomopatogênicos, os quais vêm sendo utilizados com sucesso.

          Além destes controles diretos, as populações de formigas cortadeiras poderão ser mantidas em baixos níveis populacionais e sem riscos econômicos pela realização de adequado manejo do solo e aumento da biodiversidade do sistema. O aumento planejado da biodiversidade ocorrerá na reserva biológica, estimulado pela ausência de perturbação humana, pelo plantio de espécies nativas e dos adubos verdes, que são espécies vegetais herbáceas ou arbustivas que cobrirão rapidamente o solo, fertilizando-o, tendo também a função de proteger as espécies nativas, que têm crescimento mais lento.

          O aumento da biodiversidade proporcionará natural equilíbrio entre as populações de insetos e animais em geral, mantendo um nível de infestação baixo. Com um adequado manejo do solo, aumentarão as dificuldades para a instalação de formigueiros, pois as formigas preferem áreas limpas, sem cobertura ou cobertura orgânica, sem vegetação rasteira, o que facilita a construção e aquecimento das panelas. Deve-se trabalhar sempre para ter um solo cheio de vida e rico em matéria orgânica. A resistência das plantas às pragas (inclusive às formigas), melhora com o manejo orgânico do solo.

          Para o manejo de outras pragas ou doenças que possam surgir, inúmeras alternativas ecológicas de controle podem ser aplicadas, incluindo os agentes de controle biológico. Diversas caldas de bioestimulantes, biofertilizantes e indutores de resistência também poderão ser utilizadas quando necessário, sem riscos ambientais.

          Em último caso, poderá se lançar mão de alguns princípios ativos menos tóxicos ao ser humano e de menor risco ambiental, autorizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a fim de controlar a população de insetos, respeitando-se as prescrições fornecidas pelo fabricante.

MANUTENÇÃO DOS PLANTIOS

          O plantio deverá ser acompanhado por um período de 36 meses a fim de garantir o pleno estabelecimento das mudas. Mudas mortas neste período deverão ser substituídas. Durante esse período deve-se fazer a inspeção quanto à presença de pragas e doenças, e quando necessário, utilizar controles alternativos naturais, que não comprometam a qualidade de água do Lago Descoberto. A roçagem deverá ser realizada duas vezes por ano, junto com o coroamento, durante o período de monitoramento.

          Quanto à reabilitação ambiental das propriedades rurais, essa atividade referese às ações de demarcação e revegetação da reserva legal, recuperação de áreas de preservação permanente, técnicas de uso e conservação do solo, práticas de contenção e controle de erosão, adequação das estradas de terras internas (estruturações de peitos de pombo, bigodes e baciões) e prevenção e combate aos incêndios florestais.

 


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